Este álbum extremamente raro de 1969 presta homenagem ao Bronx e a Brooklyn, bairros onde os jovens latinos tinham inventado o boogaloo alguns anos antes. O disco destaca a qualidade do boogaloo peruano e o talento de músicos como o pianista Otto de Rojas e o percussionista Coco Lagos.
Primeira reedição.
Em meados da década de 60, quando a juventude latina de Nova Iorque combinava ritmos afro-cubanos com rock, soul e jazz, não faziam ideia de que o seu Boogaloo seria replicado com a mesma força num longínquo país da América do Sul.
Desde 1955 que La Sonora Macedo leva a música cubana a todos os cantos do Peru, acompanhada por alguns dos melhores músicos peruanos do panorama musical tropical, como Ñiko Estrada, Joe di Roma, o baixista Pepe Hernández e os trompetistas Tito Chicoma e Charlie Palomares. Todos eles eram grandes fãs da música cubana, sempre à procura de novos sons da ilha.
No início da década de 1960, o rock ligeiro, o doo-wop, as baladas, as canções italianas e a bossa nova começaram a surgir nos palcos de Lima, tornando as atuações de bandas cubanas — outrora tão frequentes — coisa do passado.
Como se não bastasse, o estrondoso sucesso dos Beatles desde 1964 levou as pessoas a acreditar que a música dos países de língua inglesa dominaria o resto da década.
Mas não foi esse o caso. Graças, em grande parte, à boa relação entre Manuel Guerrero e as editoras latinas dos Estados Unidos, como a Alegre Records, que lançaria as primeiras gravações de Johnny Pacheco e Charlie Palmieri, os fãs em Lima puderam acompanhar o desenvolvimento da salsa desde o início.
A MAG foi, sem dúvida, a melhor representante destes sons. Em 1969, foi editado por esta editora o LP "Acabo con Lima, huyo pa' Nueva York", um projeto que reuniu três figuras do mundo do entretenimento de Lima: Manuel Guerrero, proprietário e fundador da MAG, que não hesitou em participar com vozes de apoio e percussão durante as gravações; Pablo Villanueva "Melcochita", um artista multifacetado de uma família muito musical do bairro operário de La Victoria, responsável pela voz e percussão; e a terceira figura proeminente de Lima neste disco foi o músico, ator e comediante Alberto Montroy Laostervened, que ficou conhecido na década de 1960, com pouco mais de 20 anos, pela sua imitação do artista mexicano Cantinflas, não só pelos seus trejeitos, mas também pela sua semelhança física. Sob o nome de Pepe Moreno "Karamanduka", gravaria também "El boogaloo de Cantinflitas".
"Acabou Lima, estou a fugir para Nova Iorque" foi lançado de imediato noutros países, destacando a qualidade do boogaloo peruano e o talento de músicos como o pianista Otto de Rojas e o percussionista Coco Lagos, que têm uma participação de destaque no álbum. Canções como "Vuela mi descarga", "Peruvian boogaloo" e "Peruvian guajira" prestam homenagem ao Bronx e a Brooklyn, bairros onde os jovens latinos tinham inventado o boogaloo alguns anos antes. Primeira reedição.
Texto: Registos de Munster.